Como evitar que o Fake vire News?

Por Suely Temporal, Diretora da Agência de Textos Comunicação Corporativa

Nove entre dez profissionais de comunicação do mundo trabalham incansavelmente para encontrar a resposta para essa pergunta de um milhão de dólares. De acordo com pesquisas realizadas pelo ICM Institute for Crisis Management, notícias falsas e/ou inverdades se reproduzem na internet oito vezes mais rapidamente do que suas correções. E uma informação delirante leva, em média, 14 dias para ser corrigida, quando é. Por isso, o fenômeno das Fake News vem ocupando cada vez mais o tempo e as mentes dos gestores e de profissionais de comunicação, em especial após a conexão das pessoas em rede pela internet. Se de um lado ainda não se descobriu uma forma de prevenir que alguém crie e dissemine uma notícia falsa, por outro, o tempo que se gasta para desmentir uma notícia falsa ou fazer com que ela pare de se propagar é cada vez maior.

Atualizando a máxima de que nenhuma organização é imune à crise, podemos dizer que nenhuma organização está imune às Fake News. Mas, como as notícias falsas prejudicam as empresas e os seus negócios? A resposta é simples. O compartilhamento de notícias falsas atinge a reputação do negócio ou da empresa, consequentemente, isso afeta receitas, lucros, participação de mercado, valor de ações, a marca, podendo até ameaçar a sua continuidade. Uma recente pesquisa feita pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital (USP), identificou os grupos de família como principal vetor de notícias falsas no WhatsApp. Esse aplicativo de mensagens bastante popular no Brasil, apresenta maior dificuldade para rastrear as Fake News e avaliar o seu alcance.

Quando um parente, amigo ou colega compartilha um conteúdo, ele está avalizando aquela informação. Em tese, não há por que desconfiar do conteúdo endossado de boa-fé por um parente ou amigo. O problema é que os difusores de falsidades e golpes online sabem que pouca gente se preocupa em checar a origem da informação e os efeitos negativos das Fake News. Nos grupos de WhatsApp, já são sentidos pelas empresas quando se divulgam textos, áudios e vídeos recomendando que as pessoas deixem de frequentar determinado lugar por terem ouvido histórias de pessoas sequestradas ou assaltadas nesses estabelecimentos, sem comprovação de que o fato tenha realmente ocorrido naquele local citado. Na dúvida, a pessoa passa a informação adiante.

Até mesmo o Papa Francisco já foi vítima desse fenômeno e a assessoria de imprensa do Vaticano teve que se mobilizar para estancar a disseminação de um texto que se estava sendo velozmente compartilhado através do aplicativo de mensagens WhatsApp. O texto, falsamente atribuído ao Papa, continha alguns conselhos verossímeis, mas não havia sido escrito por Sua Santidade. E é justamente pela verossimilhança que as Fake News são tão perigosas. Também existem casos em que a notícia falsa não é exatamente negativa, mas gera prejuízo como notícias de falsas promoções. Esse tipo de divulgação espontânea pode criar tumulto, correria e o pior: frustração e raiva por parte do consumidor.

Por esse motivo, nunca se precisou tanto da chamada imprensa tradicional. E a maioria dos jornais, emissoras de TV e rádio do país se juntaram em campanhas para esclarecer a população que o “fake” vire “news“. Entretanto, quando me refiro à imprensa tradicional não falo apenas daquele que é impressa em papel, mas também todos aqueles veículos que tem procedência e credibilidade. Então, para verificar se uma notícia é falsa procure saber: você conhece o veículo que publicou. Verifique se o site é verdadeiro. A notícia tem comprovação de data e local? É recente ou é antiga? O texto é assinado? Por quem? Na dúvida, não compartilhe.

Author: Marketing

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